Direita ou esquerda | Afinal, de que lado está Manzoni?
Deputado eleito com discurso conservador vota contra o BRB e gera revolta entre eleitores
A política tem dessas ironias que o eleitor aprende a reconhecer com o tempo: durante a campanha, o candidato promete uma coisa; depois de eleito, passa a agir de forma completamente diferente. Foi exatamente essa sensação que tomou conta de parte da direita do Distrito Federal após a postura do deputado distrital Thiago Manzoni na votação do projeto que buscava fortalecer o Banco de Brasília.
Eleito pelo Partido Liberal com forte apoio do eleitorado conservador e bolsonarista, Manzoni construiu sua campanha com um discurso bastante claro: defesa dos valores da direita, combate à esquerda e alinhamento com pautas que, historicamente, mobilizam o eleitor conservador. Era esse o retrato que muitos eleitores tinham do parlamentar quando apertaram o botão da urna.
Mas o que se viu no plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal foi um movimento que pegou muitos de surpresa.
Na votação considerada crucial para o futuro do BRB, Manzoni se posicionou contra o projeto que buscava dar sustentação ao banco público do DF em um momento de forte turbulência institucional e financeira. Na prática, o voto contrário o colocou no mesmo campo de parlamentares de partidos de esquerda que tradicionalmente fazem oposição ao governo local.
E é justamente aí que surge a crítica mais dura de seus próprios eleitores.
Durante a campanha, Manzoni se apresentou como um combatente da esquerda. Criticava o Partido dos Trabalhadores, fazia discursos firmes contra o avanço de pautas progressistas e buscava se posicionar como parte da trincheira conservadora no Distrito Federal. Era um discurso que dialogava diretamente com a base bolsonarista que ajudou a elegê-lo.
No entanto, na hora de uma votação considerada estratégica para Brasília, o deputado acabou votando lado a lado com os mesmos setores políticos que ele costumava criticar em palanque.
A incoerência, para muitos, é evidente.
O BRB não é apenas um banco. Ele representa uma instituição estratégica para o Distrito Federal, responsável por financiar projetos, apoiar políticas públicas e sustentar iniciativas sociais importantes. Além disso, milhares de famílias dependem diretamente da instituição.
São mais de quatro mil funcionários que têm no banco a fonte de sustento de suas casas. Fora os programas sociais que passam pela estrutura do BRB e chegam à população mais vulnerável.
Ao votar contra o projeto, Manzoni acabou sendo acusado por críticos de virar as costas não apenas para o banco, mas para esses trabalhadores e para as famílias que dependem da estabilidade da instituição.
E é nesse ponto que a cobrança política ganha força.
Eleitores que se identificam com a direita afirmam que esperavam do parlamentar uma postura alinhada com aquilo que ele defendia nas eleições. Para muitos, a decisão representou um gesto que soou como traição política.
A pergunta que começa a circular nos bastidores da política brasiliense é direta: afinal, de que lado está o deputado?
Se durante a campanha ele se apresentou como aliado da direita e defensor das pautas conservadoras, sua postura recente levanta dúvidas sobre qual é, de fato, seu posicionamento político dentro da Câmara Legislativa.
Na política, máscaras costumam cair com o tempo. Discursos de campanha podem convencer, mas são os votos no plenário que revelam o verdadeiro posicionamento de um parlamentar.
E para muitos eleitores do Distrito Federal, o episódio envolvendo o BRB pode ter sido justamente o momento em que a máscara caiu.
Redação DF In Foco NEWS
Fonte: Portal DF Soberano
Por Cláudio Ulhoa
Imagem: Reprodução

