Por Cláudio Ulhoa
Os números mais recentes da disputa pelo Governo do Distrito Federal ajudam a desenhar um cenário cada vez mais claro: Celina Leão entra na fase decisiva da eleição como a candidata a ser alcançada. A pesquisa Igape divulgada neste domingo (30) mostra Celina com 35,4% das intenções de voto, contra 24,3% de José Roberto Arruda. São 11,1 pontos de diferença.
O dado isoladamente já é relevante. Mas, para mim, o ponto mais importante está na sequência das pesquisas. Não estamos falando de uma liderança registrada apenas por um instituto ou em um único momento. Outros levantamentos recentes também colocaram Celina na primeira posição. A Quaest, por exemplo, mostrou a governadora com 34%, contra 20% de Arruda e 13% de Leandro Grass.
Quando pesquisas diferentes começam a apresentar a mesma tendência, ainda que com metodologias próprias, o cenário merece atenção. Isso não significa que a eleição esteja definida. Pesquisa é fotografia do momento, e campanha eleitoral pode mudar rapidamente. Mas também seria errado ignorar o fato de que Celina conseguiu construir, até aqui, uma vantagem consistente.
Outro elemento que chama atenção é a evolução dentro do próprio Igape. Na rodada anterior, Celina aparecia com 33,9%. Agora registra 35,4%. Arruda praticamente permaneceu no mesmo patamar, passando de 24,1% para 24,3%. Como essas oscilações individuais estão dentro da margem de erro, não é correto afirmar estatisticamente que houve crescimento consolidado. O que se pode afirmar é que a liderança permanece e a vantagem nominal aumentou.
Esse talvez seja o principal sinal de força da candidatura neste momento. Celina não precisa apenas aparecer em primeiro lugar. Ela precisa conseguir sustentar essa posição enquanto os adversários tentam reduzir a diferença. Até agora, os levantamentos indicam que ela vem conseguindo fazer exatamente isso.
Há ainda outro ponto importante: a candidata parece ter construído uma base eleitoral que não depende exclusivamente de um único segmento político. Recortes recentes da Quaest mostraram desempenho muito forte entre eleitores de direita e bolsonaristas, mas também presença relevante entre independentes e até em parcelas de eleitorados ideologicamente mais distantes. Essa capacidade de avançar além da própria base pode ser decisiva em uma eleição majoritária.
Na prática, Celina chega a esta etapa com três vantagens importantes: liderança nas pesquisas, distância de dois dígitos sobre o principal adversário e presença competitiva em diferentes segmentos do eleitorado. Isso cria uma posição confortável, mas também aumenta a responsabilidade da campanha. Quem lidera passa a ser mais cobrado, mais atacado e mais exposto.
Arruda continua sendo um adversário competitivo e possui reconhecimento político elevado no Distrito Federal. Leandro Grass, por sua vez, mantém espaço entre setores da esquerda. Portanto, ainda existe disputa. Qualquer análise responsável precisa considerar que a campanha está em andamento e que debates, propaganda eleitoral e acontecimentos políticos podem alterar o comportamento do eleitor.
Mesmo com essa ressalva, os dados disponíveis hoje permitem uma conclusão: Celina não apenas lidera. Ela consolidou uma posição de força na corrida pelo Palácio do Buriti. A questão que começa a se colocar não é somente se ela consegue permanecer em primeiro lugar, mas se os adversários terão tempo e capacidade política para diminuir uma vantagem que, até aqui, permanece resistente.
Registro: DF-02089/2026
Fonte: DF Soberano




