Por Cláudio Ulhoa
A crise envolvendo o Banco de Brasília entrou de vez no confronto eleitoral depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacar a governadora Celina Leão durante um comício em Ceilândia, na última quarta-feira (16). Lula chamou Celina de “cínica e mentirosa”, responsabilizou a relação entre o ex-governador Ibaneis Rocha e Daniel Vorcaro pelas perdas do BRB e afirmou que seu governo não dará dinheiro ao banco. A declaração elevou o tom de uma discussão que até então transitava principalmente entre autoridades financeiras, governo local e Supremo Tribunal Federal.
Celina respondeu poucas horas depois e acusou o presidente de colocar a disputa partidária acima dos interesses do Distrito Federal. Para a governadora, Lula trata o BRB como se fosse patrimônio de um grupo político, quando a instituição pertence ao DF e tem papel relevante na economia e em políticas públicas locais. Ela também contrapôs a posição do Planalto em relação ao banco brasiliense ao apoio federal dado aos Correios e afirmou que esperava do chefe do Executivo uma postura institucional, e não a atuação de um cabo eleitoral em plena campanha.
Há ainda uma diferença importante entre o discurso usado no palanque e o que efetivamente está em discussão. O Distrito Federal não pede simplesmente que o Tesouro Nacional transfira R$ 6,6 bilhões ao BRB. A controvérsia envolve uma operação de crédito junto ao Fundo Garantidor de Créditos e a concessão de garantia pela União. O próprio ministro Luiz Fux, do STF, determinou que União, Banco Central e FGC prestem esclarecimentos sobre os obstáculos à operação antes de uma decisão definitiva. Portanto, resumir a questão à ideia de “dar dinheiro ao BRB” deixa de fora uma parte relevante da engenharia financeira e jurídica hoje submetida ao Supremo.
As perdas associadas às operações do BRB com o Banco Master são graves e seguem sob investigação, e eventuais responsabilidades precisam ser individualizadas pelas autoridades competentes. Isso, porém, é uma discussão diferente da preservação da instituição financeira e da busca por mecanismos para recompor seu capital. Ao responder a Lula, Celina deslocou justamente o debate para esse ponto: quem deve responder por eventuais irregularidades são seus responsáveis; transformar o futuro de um banco público do Distrito Federal em munição de comício é outra questão e será uma das mais explosivas da campanha de 2026.
Fonte: DF Soberano




