A campanha de Flávio Bolsonaro entrou na última semana antes do primeiro turno com atividades concentradas no Rio de Janeiro e novos dados de pesquisas eleitorais divulgados neste domingo (27). Segundo a agenda publicada pela Agência Brasil, o candidato participou no sábado (26) de duas moto-carreatas: uma em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, e outra em Jacarepaguá, na capital. Não havia agenda pública divulgada para o domingo.
Levantamento que reuniu pesquisas Datafolha e Quaest realizadas nas duas últimas semanas apontou Flávio Bolsonaro numericamente à frente no Distrito Federal, com 41% das intenções de voto, contra 34% para Luiz Inácio Lula da Silva. No recorte nacional, o Datafolha registrou Lula com 40% e Flávio com 36%, enquanto a Quaest indicou 37% para o presidente e 33% para o senador. Os institutos informaram margem de erro de dois pontos percentuais nos levantamentos nacionais; os números representam o período de coleta e não antecipam o resultado das urnas.
Os mesmos dados mostram uma distribuição regional distinta. Lula aparece à frente em 11 estados, enquanto Flávio lidera em oito e no Distrito Federal; em outras sete unidades da Federação, os resultados foram classificados como empate técnico. No Nordeste, o presidente mantém vantagem nos nove estados da região. Já Flávio aparece em primeiro lugar no Paraná, em Santa Catarina, em Mato Grosso, em Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal, segundo os levantamentos citados.
Na Justiça Eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral determinou a remoção de publicações que tratavam como verdadeira a informação de que Flávio Bolsonaro retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Em decisão liminar publicada na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça classificou o conteúdo como “notoriamente inverídico” e determinou que as plataformas atuassem preventivamente para impedir a circulação das postagens, com multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento. A ordem não alcança conteúdos jornalísticos ou publicações destinadas a desmentir o boato.
Outro processo em andamento no TSE envolve uma rede de publicações em formato de “collab” no Instagram associada à campanha de Flávio. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva determinou que a Meta preserve registros e forneça dados para a investigação, após uma ação da coligação de Lula apontar possível uso coordenado da ferramenta para ampliar o alcance de conteúdo eleitoral. De acordo com a decisão, o tribunal ainda não concluiu pela existência de irregularidade; a apuração foi admitida para produção de provas.
Também segue em fase de instrução uma ação apresentada pela campanha de Flávio contra Lula e outros envolvidos por supostas irregularidades relacionadas ao desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026. O TSE aceitou processar a ação, que questiona repasses públicos e a exposição dada ao presidente durante o evento. A decisão de admissibilidade não representa julgamento do mérito das acusações. Os órgãos citados no processo afirmaram que os recursos foram destinados às escolas de samba para a realização do Carnaval.
O quadro atual reúne três frentes principais da campanha: mobilização territorial na reta final, divulgação de pesquisas com diferenças regionais relevantes e disputas judiciais sobre propaganda, circulação de conteúdo digital e eventos públicos.
Por Gilvan Afonso




