A campanha de Flávio Bolsonaro entrou nesta quarta-feira (7) em uma nova fase de articulação política para o segundo turno da eleição presidencial. Depois de terminar a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato do PL passou a concentrar esforços na ampliação de sua rede de apoios. A votação decisiva está marcada para 25 de outubro.
A principal novidade é a adesão oficial da União Progressista, federação formada por União Brasil e PP. A decisão foi tomada em reunião das bancadas no Congresso e formalizada na segunda-feira (6), colocando as duas legendas na campanha de Flávio para o segundo turno.
O movimento tem peso político porque a federação elegeu uma bancada expressiva para a próxima legislatura. Ao mesmo tempo, a orientação partidária não elimina divergências individuais: há integrantes das duas siglas que manifestaram posições diferentes na disputa presidencial.
Republicanos pode ser o próximo partido a aderir
A articulação continua nesta quarta. O Republicanos marcou reunião de sua direção para avaliar uma posição sobre o segundo turno. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a tendência é de apoio a Flávio, embora existam diferenças regionais dentro da legenda.
O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, participa das conversas para aproximar a candidatura do PL da direção do Republicanos. A estratégia é especialmente relevante para São Paulo, onde Flávio terminou atrás de Lula no primeiro turno.
Também estão no radar da campanha possíveis adesões do Podemos e de outras forças do centro. A presidente do Podemos, Renata Abreu, indicou tendência favorável ao candidato do PL, mas uma decisão formal da legenda ainda estava prevista para os próximos dias.
Apoios regionais reforçam campanha
Flávio também recebeu apoios de lideranças que disputaram o primeiro turno. Entre os nomes estão Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Em Goiás, o governador reeleito Daniel Vilela também anunciou apoio ao candidato do PL em ato realizado em Goiânia.
Em Minas Gerais, o governador eleito Cleitinho Azevedo confirmou apoio a Flávio. O estado é estratégico por representar o segundo maior colégio eleitoral do país, além de ter dado vantagem ao candidato do PL no primeiro turno.
Candidato fala em mudanças na Constituição
Durante evento em Goiânia, Flávio Bolsonaro afirmou que uma eventual vitória poderá contar com uma composição mais favorável no Congresso para promover mudanças constitucionais. Segundo o candidato, o novo cenário parlamentar abriria espaço para uma agenda de mudanças que ele classificou como necessária para “redemocratizar” o país.
A declaração deve ser contextualizada: embora o PL tenha conquistado 121 cadeiras na Câmara, maior bancada da Casa, alterações na Constituição exigem quórum de três quintos dos deputados e senadores em dois turnos. Portanto, a maioria simples de uma legenda não é suficiente para aprovar uma emenda constitucional.
Primeiras pesquisas do segundo turno começam nesta quinta
O eleitorado ainda não conta com uma nova pesquisa nacional pós-primeiro turno divulgada até esta quarta-feira. Os primeiros levantamentos específicos para a disputa entre Flávio e Lula estão previstos para começar a ser publicados a partir de quinta-feira (8).
O Datafolha entrevistará 2.520 pessoas entre os dias 6 e 8 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais. O PoderData fará 3 mil entrevistas entre 5 e 7 de outubro, com margem de erro de 1,8 ponto. A AtlasIntel prevê divulgar seu levantamento na sexta-feira (9), após ouvir 5 mil pessoas, com margem de erro de um ponto percentual.
O cenário de partida é de vantagem nominal de Flávio, mas com diferença estreita. A totalização do primeiro turno registrou 56,1 milhões de votos para o candidato do PL e 53,8 milhões para Lula, resultado que levou os dois ao segundo turno. As novas pesquisas deverão indicar se essa vantagem se mantém após a formação das alianças e o início da segunda fase da campanha.
Por Gilvan Afonso




