O segundo turno da eleição presidencial ganhou novos desdobramentos neste domingo (11), com a divulgação de pesquisas, decisões da Justiça Eleitoral e articulações políticas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro. O candidato terminou o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva e procura consolidar apoios para a votação de 25 de outubro.
Entre os acontecimentos mais recentes estão a vantagem numérica de Flávio em pesquisa Ipespe/Abrapel, o apoio anunciado pelo governador do Paraná, Ratinho Jr., e uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que determinou a retirada de propagandas da campanha petista consideradas problemáticas pelo conteúdo e pela omissão de informações relevantes. Ao mesmo tempo, a campanha do senador precisa responder a questionamentos apresentados em processos eleitorais e a uma notícia-crime relacionada às investigações sobre fraudes no INSS.
Pesquisa Ipespe aponta Flávio com 52,7% dos votos válidos
Levantamento Ipespe/Abrapel divulgado no sábado (10) mostra Flávio Bolsonaro com 52,7% dos votos válidos, contra 47,3% de Lula em uma simulação de segundo turno.
Na intenção de voto estimulada, que apresenta os nomes dos candidatos aos entrevistados, Flávio aparece com 49%, enquanto o presidente registra 44%. Outros 5% afirmam que pretendem votar em branco ou anular o voto, e 3% não souberam responder.
A pesquisa ouviu 1.500 eleitores com 16 anos ou mais, por telefone, entre 6 e 8 de outubro. A margem de erro máxima informada é de 2,6 pontos percentuais, e o levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-00933/2026.
O resultado acompanha a tendência apresentada pelo Datafolha na quinta-feira (8), quando Flávio também apareceu numericamente à frente, com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Naquele levantamento, a margem de erro era de dois pontos percentuais.
Embora os dois institutos tenham apontado vantagem para o candidato do PL, os resultados devem ser interpretados conforme as metodologias e os períodos de coleta de cada pesquisa. As estimativas não representam garantia de vitória.
TSE suspende propaganda de Lula sobre Banco Master
Uma decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão de propagandas da campanha de Lula que associavam Flávio Bolsonaro ao caso Banco Master.
A decisão também alcançou uma peça que relacionava o candidato a vice na chapa do PL, Alfredo Gaspar, a uma investigação por estupro de vulnerável.
Segundo a fundamentação divulgada, o ministro considerou que as peças omitiam informações relevantes e apresentavam acusações criminais sem sustentação mínima suficiente para a forma como foram veiculadas. No caso de Gaspar, a investigação havia sido arquivada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, após manifestação da Procuradoria-Geral da República apontar falta de provas e contradições nos depoimentos.
O que se sabe sobre a menção a Flávio
As propagandas questionadas mencionavam uma suposta negociação de US$ 24 milhões entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com a reportagem do UOL sobre a decisão, documentos indicariam transferências que somaram US$ 10,6 milhões em seis operações entre fevereiro e maio de 2025. A produtora responsável pelo filme, entretanto, negou ter recebido recursos do Banco Master. A existência de informações sobre uma negociação ou movimentações financeiras não permite concluir, por si só, que tenha ocorrido crime.
A decisão judicial é relevante porque determina a retirada das peças questionadas, mas não equivale a uma declaração geral de que todas as acusações relacionadas ao caso sejam falsas. O alcance da medida está ligado ao conteúdo específico das propagandas e à avaliação feita pelo ministro.
Apoio de Ratinho Jr. fortalece articulação política
Na frente partidária, o governador do Paraná, Ratinho Jr., anunciou no sábado (10) apoio à candidatura de Flávio no segundo turno.
O apoio foi acertado após uma conversa telefônica entre os dois na quinta-feira (8). O governador também mencionou o diálogo com Tarcísio de Freitas, que participou das articulações para aproximá-lo da candidatura do PL.
A adesão tem importância política por envolver um governador em exercício e ampliar a rede de aliados regionais de Flávio. No entanto, o apoio individual de Ratinho Jr. não significa que todo o PSD tenha aderido ao candidato: o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, declarou neutralidade para o segundo turno.
A estratégia de Flávio é reunir lideranças que disputaram o primeiro turno ou que possuem influência regional, ampliando sua presença para além da base tradicional do bolsonarismo.
Justiça Eleitoral cobra explicações sobre ação contra canal pró-Lula
Outro desdobramento envolve uma ação apresentada pela campanha de Flávio contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o deputado federal André Janones.
O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou no sábado que Flávio apresente esclarecimentos em até 72 horas sobre os pedidos feitos no processo.
A campanha quer a suspensão do canal de WhatsApp Exército do Lula, a retirada de publicações que considera irregulares e a apuração de possíveis abusos eleitorais. Também solicita a cassação da chapa presidencial adversária e a inelegibilidade dos responsáveis pelas supostas irregularidades.
Janones nega as acusações e afirma que o canal é destinado à mobilização de apoiadores. O ministro pediu que a campanha de Flávio detalhe as irregularidades atribuídas às publicações, informe se já existem ações semelhantes e apresente arquivos digitais originais que não foram incluídos inicialmente no processo. Lula, Alckmin e Janones foram notificados para apresentar defesa.
O recebimento da ação não significa que as acusações tenham sido reconhecidas como verdadeiras. O TSE ainda deverá examinar os argumentos e as provas apresentados pelas partes.
Pedido de investigação sobre fraudes no INSS gera nova controvérsia
No sábado, o deputado federal Lindbergh Farias apresentou uma notícia-crime à Polícia Federal pedindo que Flávio seja incluído nas investigações da Operação Sem Desconto, que apura fraudes relacionadas a descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
O parlamentar solicitou a análise de movimentações financeiras e a quebra de sigilos bancário e fiscal do senador, de sua sociedade de advocacia e de empresas relacionadas ao advogado Willer Tomaz de Souza, que também é investigado.
A iniciativa ocorreu após a divulgação de e-mails que indicariam que uma conta identificada com o nome de Flávio estava vinculada ao mesmo perfil de acesso bancário utilizado por Tomaz. Segundo a reportagem do UOL, o vínculo foi desfeito em maio de 2025. Os documentos mencionados não comprovam, por si só, que o senador tenha recebido dinheiro desviado do INSS.
Flávio e Tomaz negam a existência de relação financeira entre eles. O senador classificou as informações como falsas, enquanto a defesa do advogado afirmou que a relação entre ambos se limita à amizade pessoal. Até o momento, o pedido apresentado por Lindbergh representa uma solicitação de investigação, e não uma comprovação de responsabilidade criminal.
Debate presidencial previsto para hoje foi cancelado
A agenda de confrontos televisivos também sofreu mudanças. O debate entre Flávio e Lula que seria realizado pela Record neste domingo (11) foi cancelado na sexta-feira (9). A emissora atribuiu a decisão à incompatibilidade de agendas dos candidatos.
Com isso, o próximo debate previsto entre os dois candidatos será promovido pelo SBT e por veículos parceiros na quinta-feira (15), às 22h. O encontro da Band está marcado para 18 de outubro, às 20h, enquanto a Globo prevê realizar seu debate em 23 de outubro, dois dias antes da votação.
A ausência de um confronto neste domingo reduz uma oportunidade imediata de comparação direta entre as propostas dos candidatos, mas mantém outros encontros programados para a reta final.
Cenário eleitoral permanece em disputa
Flávio Bolsonaro chega a esta etapa com vantagem numérica no primeiro turno e em levantamentos recentes para o segundo. O candidato também amplia sua rede de apoios e obteve uma decisão favorável no TSE contra propagandas específicas de Lula.
Ao mesmo tempo, a campanha enfrenta processos eleitorais e questionamentos que ainda dependem de análise das autoridades. A distinção entre decisões judiciais já tomadas, pedidos de investigação e acusações políticas é essencial para compreender o estágio de cada caso.
O segundo turno será realizado em 25 de outubro. Até lá, novas pesquisas, debates, alianças e decisões judiciais deverão influenciar o ambiente da disputa presidencial.
Por Gilvan Afonso




