Apesar da afirmação, governador não cravou uma data. Sobre aumento na conta de água, chefe do Executo prometeu “avaliar” real necessidade
No dia em que o governo do Distrito Federal anunciou que a conta de água ficará mais cara, Rodrigo Rollemberg (PSB) voltou a garantir o fim do racionamento na cidade. Apesar da promessa, o chefe do Executivo local não cravou uma data para pôr fim ao rodízio que afeta a população da capital federal desde 2016.
“Nós estamos com quase 91% do volume de água no [reservatório] Descoberto e com mais de 55% na barragem de Santa Maria. Fizemos obras que permitem a transposição de água de uma bacia para a outra e, hoje, em torno de 550 litros estão indo do sistema Santa Maria, Bananal, Lago Paranoá, para atender as regiões abastecidas pelo Descoberto, o que nos permite garantir, com segurança, o fim do racionamento”, destacou.
Segundo o governador, nesta semana, representantes da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) e da Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb) vão se reunir para definirem a data do fim da restrição do recurso hídrico na cidade. Apesar de não cravar o dia, Rollemberg disse que o anúncio “está muito próximo”.
Avaliação do reajuste
Em relação ao reajuste nas tarifas de água e esgoto, Rollemberg falou tratar-se de uma autorização da Adasa e que irá analisar a decisão. “Nós ainda vamos avaliar efetivamente a necessidade do reajuste. Quem determina o valor é a Adasa, e não o GDF. O que nós estamos fazendo são os investimentos necessários para garantir o abastecimento de água para a população de Brasília”, declarou o governador, na manhã desta segunda (30/4), durante visita às obras de uma adutora do Sistema Produtor Corumbá, em Santa Maria
Apartir de 1º de junho, o valor do serviço de água e de esgoto no Distrito Federal será corrigido em 2,99%. Segundo a Adasa, o reajuste foi homologado na sexta-feira (27/4) e oficializado no Diário Oficial do DF desta segunda-feira (30/4). Conforme a publicação, a medida vigorará até 31 de maio de 2019.
O aumento ocorre em pleno racionamento na capital do país e mesmo com os níveis dos reservatórios elevados. No domingo (29/4), a Barragem do Descoberto estava com 90,4% da sua capacidade. Já a de Santa Maria fechou o dia com 56%. Os índices são monitorados pela Adasa.
Para a Caesb, seria necessário repassar ao consumidor acréscimo de 10,47% a fim de recompor as perdas da empresa em função da queda de arrecadação por conta do rodízio de água na capital do país. A companhia assegura ter registrado diminuição de 34,8 milhões de metros cúbicos no consumo do recurso hídrico em 2016 e 2017, o que teria representado um impacto negativo de R$ 155,7 milhões em sua receita
Cálculo das faturas
De acordo com a atividade exercida pela unidade consumidora, os tipos de tarifas de água são divididos em: residencial (inclui templos religiosos ou entidades declaradas de utilidade pública pelo governo de Brasília e construções de casa própria sob encargo do proprietário); comercial (engloba atividades não previstas nas outras categorias e água para irrigação); e industrial e pública (órgãos e entidades da administração direta e indireta do Distrito Federal, dos municípios e dos estados, da União, organizações internacionais e representações diplomáticas).
No serviço de esgoto, o cálculo das faturas, com base no abastecimento de água, tem duas categorias: para sistema convencional de esgotamento sanitário (que varia de 50% a 100% da cobrança da água) e para sistema condominial (100% na rede própria externa e 60% na interna). A tarifa popular é aplicada para famílias de baixa renda cadastradas em programas sociais do governo.
Culpa do governo
Uma pesquisa encomendada pelo Metrópoles ao Instituto Dados e divulgada em dezembro de 2017 mostra que, quando questionados sobre a culpabilidade pela crise hídrica, dois terços da população responsabilizam o governo, porque “não buscou alternativas para evitar a falta d’água”.
Especialistas ouvidos pela reportagem à época afirmaram que o desabastecimento era previsto há pelo menos 12 anos, por isso o Governo do Distrito Federal deveria ter tomado medidas para resolver o problema.
“Na época, o governo decidiu apostar todas as fichas na captação em Corumbá. Mas o projeto, grandioso, demandou alto investimento e, devido a problemas diversos, não começou a funcionar até hoje”, disse o especialista em recursos hídricos e professor da Universidade de Brasília (UnB) Sérgio Koide.
Com o objetivo de reduzir os impactos do problema, o Executivo local inaugurou, em outubro, serviços de captação de água no Lago Paranoá e no Subsistema Bananal. As obras de Corumbá, no entanto, continuam, e a entrega está prevista para dezembro de 2018.
Fonte: Metrópoles
Foto: Michael Melo/Metrópoles



