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Flávio Bolsonaro amplia alianças e começa a apresentar desenho de eventual governo

Campanha do candidato do PL recebe apoio do Novo, discute redução de ministérios e sinaliza nomes para áreas econômicas; proposta de corte de impostos também ganha destaque

Flávio Bolsonaro entrou nesta quinta-feira (8) em uma nova etapa da campanha para o segundo turno, marcada pela consolidação de apoios políticos e pela apresentação de ideias para um eventual governo. O candidato do PL terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva, e os dois voltam às urnas em 25 de outubro.

A movimentação política ganhou um novo reforço nesta quarta-feira (7), quando o Partido Novo anunciou oficialmente apoio a Flávio. A decisão foi comunicada em evento que reuniu a bancada federal e senadores eleitos da legenda. O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, justificou a adesão com críticas ao governo petista e ao Supremo Tribunal Federal. Flávio, por sua vez, classificou o apoio como programático.

O apoio do Novo se soma à adesão da federação formada por União Brasil e PP, enquanto o Republicanos mantém negociações para definir sua posição. Também declararam apoio a Flávio nomes que ficaram fora do segundo turno, entre eles Ronaldo Caiado e Romeu Zema.

Campanha começa a detalhar possíveis medidas econômicas

Na terça-feira (6), Flávio afirmou que pretende reduzir os impostos incidentes sobre a folha de pagamento e diminuir a carga tributária caso seja eleito. A declaração foi feita no mesmo dia em que recebeu os apoios de Caiado e Zema e enquanto sua equipe ampliava as negociações com partidos para o segundo turno.

Outro ponto que passou a ganhar atenção é o desenho de uma eventual equipe ministerial. Reportagem publicada nesta quinta-feira informa que a campanha avalia a manutenção de nomes que participaram da gestão de Jair Bolsonaro. Entre os cotados estão Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, e Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES, ambos mencionados para a área econômica.

A mesma reportagem aponta que Adolfo Sachsida, integrante da equipe econômica da campanha, é considerado para ocupar um ministério, enquanto Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, é avaliada para a área de Desenvolvimento Social. Esses nomes são, neste momento, possibilidades discutidas para um eventual governo e não indicações oficiais.

Plano prevê menos ministérios

A campanha também trabalha com a ideia de reduzir o número de ministérios de 38 para 25, segundo as informações divulgadas sobre a estrutura estudada para um eventual governo. Há, porém, pressão de representantes do setor industrial para que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços permaneça separado da área econômica, preservando uma interlocução específica com o setor privado.

O movimento representa uma tentativa de transformar a vantagem obtida no primeiro turno em uma agenda de governo mais concreta, ao mesmo tempo em que Flávio busca ampliar sua base para além do eleitorado tradicional do bolsonarismo.

Campanha também enfrenta disputa sobre propostas

No campo das redes sociais, ganhou circulação uma série de publicações afirmando que o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho, teria anunciado o fim do 13º salário, mudanças drásticas na aposentadoria e encerramento do BPC. Essas afirmações foram classificadas como falsas por checagem do UOL Confere.

Segundo a checagem, Marinho já havia defendido anteriormente a revisão das reformas trabalhista e previdenciária, mas não apresentou, naquela ocasião, as medidas específicas que passaram a circular nas redes. O programa de governo de Flávio, de acordo com a mesma apuração, prevê a manutenção de programas sociais e medidas de combate a fraudes no INSS.

Debate sobre jornada de trabalho chega ao Senado

Flávio também se posicionou contra o calendário de votação da proposta que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6×1 antes do segundo turno. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, manteve a previsão de votação para a próxima semana, apesar das tentativas da oposição de adiar a análise para depois da eleição.

A proposta aprovada na Câmara prevê redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. Flávio e outros senadores de oposição questionam principalmente o momento da votação, embora reconheçam que existe apoio à redução da jornada.

Cenário eleitoral e mercado acompanham a segunda rodada

A liderança de Flávio no primeiro turno também passou a repercutir nos mercados. O dólar abriu esta quinta-feira cotado a R$ 5,019, em alta, em um dia marcado principalmente pela valorização do petróleo e pelo ambiente externo de maior aversão ao risco. A Folha registrou, contudo, que o cenário eleitoral brasileiro também está no radar dos investidores, após Flávio terminar a primeira rodada à frente de Lula.

Ainda não há, nesta manhã, uma nova pesquisa nacional pós-primeiro turno que permita medir de forma consolidada o efeito das alianças anunciadas desde domingo. A disputa permanece aberta, e os próximos levantamentos deverão indicar se a vantagem inicial de Flávio se mantém após a reorganização das campanhas e a entrada dos apoios de outras forças políticas.

Resumo do momento: Flávio chega ao segundo turno com vantagem numérica nas urnas, ampliou sua coalizão com União Brasil, PP e Novo, negocia com o Republicanos e começa a apresentar com maior clareza a estrutura e as prioridades de um eventual governo. Ao mesmo tempo, propostas econômicas, trabalhistas e a composição ministerial passam a ser submetidas ao escrutínio público — e algumas informações que circulam nas redes já foram desmentidas por checagens.

Por Gilvan Afonso

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