Flávio Bolsonaro entra nesta terça-feira (6) em uma nova etapa da disputa presidencial, agora em confronto direto com Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de terminar o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, o candidato do PL concentra os primeiros movimentos do segundo turno na ampliação de alianças políticas e na conquista dos eleitores que ficaram com as demais candidaturas. O segundo turno será realizado em 25 de outubro.
Um dos principais compromissos de Flávio nesta terça será em Goiânia, onde deve receber formalmente o apoio do ex-governador de Goiás e ex-candidato à Presidência Ronaldo Caiado. O encontro está previsto para as 14h30 e também deverá reunir o governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela. Após o anúncio, está prevista entrevista coletiva.
Caiado terminou o primeiro turno em quinto lugar, com cerca de 2,2% dos votos válidos. O apoio representa uma adesão individual do ex-candidato e não significa, automaticamente, que todo o PSD passará a apoiar Flávio. O presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, liberou diretórios e lideranças para definirem suas posições no segundo turno.
Tarcísio amplia participação na campanha
Outro aliado estratégico é Tarcísio de Freitas, reeleito governador de São Paulo. Os dois se reuniram em Brasília na segunda-feira (5) para discutir a estratégia da campanha no segundo turno. A participação de Tarcísio é considerada especialmente relevante pelo peso eleitoral de São Paulo, maior colégio eleitoral do país.
Além de Tarcísio, a campanha busca fortalecer sua presença por meio de governadores e lideranças eleitas em outros estados. Entre os nomes citados nas articulações estão Cleitinho Azevedo, em Minas Gerais, e Sérgio Moro, no Paraná. Essas movimentações fazem parte da estratégia política da campanha, e seu impacto efetivo sobre o eleitorado ainda não pode ser medido.
Centrão entra no radar das negociações
A ampliação da aliança também alcança partidos do chamado Centrão. PP, União Brasil e Republicanos estão entre as siglas que passaram a ser observadas nas negociações para o segundo turno, enquanto o PSD decidiu não assumir uma posição nacional única neste momento.
O coordenador-geral da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho, afirmou que adversários derrotados e integrantes do Centrão serão bem-vindos à campanha. A declaração sinaliza uma estratégia de ampliação da base política, mas eventuais apoios partidários ainda dependem de decisões formais de cada legenda.
Campanha também leva reclamações ao STF
No campo institucional, Rogério Marinho tem reunião marcada para esta terça-feira, às 13h, com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin. Segundo Marinho, o encontro deverá tratar da atuação do Judiciário durante as eleições e de decisões do STF que, na avaliação da campanha, teriam interferido na Justiça Eleitoral. A caracterização de “interferência indevida” é uma avaliação de Marinho, não uma conclusão oficial do STF.
Primeiras pesquisas do segundo turno serão divulgadas nesta semana
Ainda não há, nesta terça-feira, uma nova pesquisa nacional pós-primeiro turno com Flávio e Lula que permita medir o efeito das primeiras articulações. Os primeiros levantamentos específicos do segundo turno estão previstos para os próximos dias.
A AtlasIntel informou que divulgará sua primeira pesquisa desta nova fase na sexta-feira (9). O estudo deverá abordar intenção de voto, rejeição, avaliação da economia, confiança em áreas de governo e percepção sobre o Supremo Tribunal Federal. Datafolha, PoderData e outros institutos também registraram levantamentos para o segundo turno, com divulgações previstas a partir desta semana.
O ponto de partida oficial da disputa é conhecido: Flávio terminou o primeiro turno com 56.104.268 votos e 47,03% dos votos válidos, contra 53.876.617 votos e 45,16% de Lula, segundo os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral. A diferença foi de aproximadamente 1,87 ponto percentual, deixando a decisão para 25 de outubro.
Acompanhe: a partir de agora, os principais indicadores para medir a força da candidatura de Flávio serão as novas pesquisas nacionais, os apoios formalizados por partidos e candidatos derrotados e a capacidade da campanha de ampliar sua votação entre eleitores que não optaram por PL ou PT no primeiro turno.
Por Gilvan Afonso




