A campanha de Flávio Bolsonaro intensificou a mobilização nas redes sociais neste sábado (10), em meio à tentativa de ampliar sua vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais. A disputa digital tornou-se uma das principais frentes da campanha, com os dois lados investindo em canais próprios, divulgação de propostas e contestação de conteúdos publicados por adversários.
A movimentação ocorre após a divulgação de novas pesquisas eleitorais e em meio ao aumento das críticas entre as campanhas. Enquanto o grupo de Flávio procura responder a questionamentos sobre seu programa econômico, a equipe de Lula tenta ampliar a mobilização de apoiadores e explorar possíveis impactos sociais das propostas do adversário.
Disputa nas redes sociais mobiliza as duas campanhas
A campanha de Lula ampliou sua presença digital por meio de grupos e canais de apoiadores. Um dos destaques é o canal denominado Exército do Lula, criado pelo deputado André Janones, que, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada neste sábado, cresceu de aproximadamente 50 mil para 3 milhões de seguidores.
Em resposta, a equipe de Flávio lançou o grupo Tropa do Flávio e passou a reforçar a divulgação de conteúdos para rebater críticas e apresentar suas propostas. A campanha também criou um site voltado a esclarecer dúvidas sobre o plano econômico, especialmente diante de questionamentos sobre um possível ajuste de R$ 250 bilhões no Orçamento.
O embate não se limita à disputa por audiência. As duas campanhas têm recorrido à Justiça Eleitoral para contestar publicações consideradas enganosas ou prejudiciais. Decisões recentes determinaram a retirada de determinados conteúdos, mas isso não significa que todas as acusações feitas pelos grupos políticos tenham sido comprovadas.
A intensificação dessa estratégia evidencia a importância das redes sociais na segunda etapa da eleição, principalmente na tentativa de alcançar eleitores que ainda não definiram seu voto.
Datafolha aponta vantagem de Flávio no Distrito Federal
Levantamento do Datafolha divulgado na sexta-feira (9) mostra Flávio Bolsonaro à frente de Lula na disputa presidencial entre os eleitores do Distrito Federal.
Na contagem dos votos válidos, o candidato do PL aparece com 54%, contra 46% do petista. A margem de erro é de três pontos percentuais, o que exige cautela na interpretação da diferença.
Considerando todos os entrevistados, Flávio registra 49% das intenções de voto, enquanto Lula soma 43%. Outros 6% afirmaram que pretendem votar em branco ou anular o voto, e 2% não souberam responder.
O levantamento ouviu 910 eleitores e foi registrado na Justiça Eleitoral.
O resultado regional contrasta com o cenário nacional, no qual a disputa permanece mais equilibrada. Na pesquisa Datafolha divulgada em 8 de outubro, Flávio tinha 52% dos votos válidos, ante 48% de Lula. Como a margem de erro nacional é de dois pontos percentuais, os dois candidatos permanecem em situação de empate técnico nesse levantamento.
Os números representam o cenário observado durante o período de entrevistas e não constituem garantia do resultado de 25 de outubro.
Propostas ambientais entram no debate eleitoral
Outro tema que ganhou destaque nesta semana foi o programa ambiental apresentado por Flávio Bolsonaro.
Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, o plano do candidato prevê mudanças nas atribuições de órgãos como Ibama, Funai e ICMBio, além de defender a ampliação das atividades econômicas e a exploração de gás natural por fraturamento hidráulico, conhecido como fracking.
O documento também propõe alterações no licenciamento ambiental e promete eliminar entraves considerados excessivos pela campanha. Entre as metas apresentadas está zerar o desmatamento ilegal até 2029.
As propostas suscitam questionamentos sobre seus possíveis efeitos ambientais e regulatórios. A defesa de maior flexibilidade para empreendimentos econômicos precisa ser analisada em conjunto com as medidas de fiscalização e proteção ambiental previstas no próprio programa.
O tema pode ganhar espaço no segundo turno, especialmente diante das diferenças entre os projetos econômicos e ambientais dos dois candidatos.
Lula intensifica críticas durante ato em Ceilândia
Na sexta-feira (9), Lula participou de um ato de campanha em Ceilândia, no Distrito Federal, acompanhado de apoiadores do candidato petista ao governo local, Leandro Grass.
Durante o discurso, o presidente criticou o bolsonarismo, fez referências à condução da pandemia de Covid-19 e questionou relações atribuídas a aliados de Flávio com o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
As declarações fazem parte da estratégia de confronto adotada pela campanha petista. As suspeitas mencionadas no discurso precisam ser diferenciadas de fatos comprovados, e eventuais responsabilidades dependem da apuração das autoridades competentes.
O Banco Master e suas operações também aparecem no debate político do Distrito Federal, em razão da crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB). A utilização desse episódio na campanha amplia a disputa em torno da transparência, da responsabilidade administrativa e da relação entre agentes políticos e instituições financeiras.
Áudio atribuído a empresário gera controvérsia
Outro episódio que repercutiu nos bastidores eleitorais envolve um áudio atribuído a Daniel Vorcaro sobre o financiamento de um documentário relacionado a Lula.
Aliados de Flávio comemoraram a divulgação do material e procuraram utilizá-lo para rebater questionamentos sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção relacionada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entretanto, há ressalvas importantes: segundo reportagem do UOL, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República informaram que o áudio não integra as provas formais do caso e não foi localizado nos registros do celular de Vorcaro. A identidade do interlocutor e a autenticidade do conteúdo também permanecem sem confirmação conclusiva.
Por isso, o material não deve ser tratado como prova de irregularidade envolvendo Lula ou sua campanha. A controvérsia permanece dependente de esclarecimentos sobre a origem e a autenticidade da gravação.
Segundo turno será decidido em 25 de outubro
Flávio Bolsonaro chega à segunda etapa da eleição depois de conquistar 47,03% dos votos válidos no primeiro turno, contra 45,16% de Lula. A diferença inicial favorece numericamente o candidato do PL, mas não elimina a possibilidade de mudança no cenário eleitoral.
Nas próximas duas semanas, as campanhas deverão concentrar esforços na mobilização de apoiadores, na conquista de eleitores independentes e na defesa de suas propostas para áreas como economia, segurança pública, programas sociais e meio ambiente.
A disputa presidencial será definida em 25 de outubro. Até lá, pesquisas, debates, decisões judiciais e a circulação de informações nas redes sociais deverão continuar influenciando o ambiente eleitoral.
Nota editorial: acusações e conteúdos ainda não comprovados foram atribuídos às respectivas fontes. As pesquisas citadas refletem períodos específicos de entrevistas e devem ser interpretadas considerando suas margens de erro e metodologias.
Por Gilvan Afonso




