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Flávio Bolsonaro mantém vantagem nas pesquisas, muda posição sobre escala 6×1 e obtém decisão favorável no TSE

Levantamentos divulgados nesta terça-feira (13) indicam disputa apertada com Lula; Justiça Eleitoral determina retirada de publicações contra o candidato do PL e esclarece falha técnica em propaganda televisiva.

A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro começou esta terça-feira (13) com novos desdobramentos na corrida pelo Palácio do Planalto. Duas pesquisas nacionais divulgadas pela manhã mantêm o candidato numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora os resultados estejam dentro das margens de erro dos respectivos levantamentos.

O dia também foi marcado pelo posicionamento de Flávio a favor do fim da escala de trabalho 6×1, após uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na área jurídica, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a retirada de publicações contrárias ao senador feitas por um fórum de entidades sindicais e estabeleceu condições para o funcionamento de um canal digital ligado à campanha petista.

Pesquisas apontam vantagem numérica, mas disputa continua aberta

A pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada nesta terça-feira, mostra Flávio com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Na intenção de voto total, que inclui brancos, nulos e indecisos, o senador registra 48%, enquanto o presidente aparece com 45%. Brancos e nulos somam 5%, e 2% dos entrevistados não souberam responder.

O levantamento ouviu 2.002 eleitores por telefone entre 10 e 12 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-07997/2026. Como a diferença entre os candidatos está dentro da margem de erro, o resultado caracteriza empate técnico.

Outro levantamento divulgado nesta terça, pelo PoderData em parceria com a AYA Bancah, também coloca Flávio numericamente à frente, mas com uma diferença menor.

Nesse estudo, o candidato do PL aparece com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. Na pesquisa anterior do instituto, divulgada em 8 de outubro, a relação era de 53% a 47%, indicando uma redução da distância numérica entre os concorrentes.

O PoderData/AYA entrevistou 3 mil pessoas por telefone, em 686 municípios das 27 unidades da Federação, entre 10 e 12 de outubro. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual, e o registro no TSE é BR-01209/2026. Também neste caso, os candidatos estão tecnicamente empatados.

Os levantamentos mostram que Flávio conserva uma posição numericamente favorável, mas não permitem afirmar que sua vitória esteja definida. A evolução das intenções de voto, a rejeição aos candidatos e a participação dos eleitores serão fatores importantes até a votação de 25 de outubro.

Flávio anuncia voto favorável ao fim da escala 6×1

Em declaração feita nesta terça-feira, depois de visitar Jair Bolsonaro, Flávio afirmou que votará a favor da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 no Senado Federal.

O senador justificou a posição dizendo considerar que a mudança corresponde ao desejo da maioria dos trabalhadores brasileiros. A declaração representa uma alteração em relação a manifestações anteriores, nas quais havia demonstrado resistência à proposta.

Flávio, entretanto, levantou dúvidas sobre os efeitos econômicos da redução da jornada. Segundo ele, a mudança poderá aumentar a necessidade de contratação de funcionários e elevar o risco de informalidade. O candidato defendeu que o governo federal assuma parte dos custos da transição para evitar que a despesa recaia sobre os empresários, mas não apresentou estimativa de gastos nem detalhou como essa compensação seria financiada.

O senador também defendeu maior flexibilidade na organização dos horários de trabalho, com possibilidade de negociação entre empregados e empregadores. Essa ideia se relaciona a uma proposta que ele já vinha defendendo, baseada na remuneração por hora trabalhada.

A discussão ganha importância eleitoral porque a redução da jornada e o fim da escala 6×1 estão entre os temas de maior repercussão na agenda trabalhista. A proposta em debate no Senado prevê mudanças na jornada semanal, sem redução salarial, e exige análise dos impactos para trabalhadores, empresas e contas públicas.

TSE determina retirada de publicações contra o candidato do PL

Na frente jurídica, o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou que o Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) retire, em até 24 horas, publicações contrárias a Flávio Bolsonaro divulgadas no Instagram.

A decisão atendeu a um pedido da campanha do senador. Segundo o entendimento preliminar do ministro, o perfil utilizado pelo fórum funciona como canal institucional de entidades sindicais e associativas, o que atrai restrições da legislação eleitoral à propaganda política feita por pessoas jurídicas.

A campanha de Flávio havia apontado pelo menos 17 publicações que criticavam o governo de Jair Bolsonaro e questionavam uma possível reforma administrativa atribuída ao candidato do PL. Os representantes do senador alegaram que o conteúdo poderia influenciar os eleitores por meio de uma estrutura institucional.

Bellizze não proibiu novas publicações de maneira preventiva. O ministro considerou que eventuais irregularidades futuras deverão ser examinadas individualmente. A decisão também prevê que a Meta remova os conteúdos caso permaneçam disponíveis após o prazo e preserve informações sobre alcance, visualizações e compartilhamentos.

A ordem de retirada não representa uma decisão definitiva sobre a veracidade das críticas publicadas pelo fórum. O caso ainda será submetido ao plenário do TSE.

Canal ligado à campanha de Lula só poderá funcionar após regularização

Em outra decisão, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou novamente a suspensão do canal de WhatsApp Exército do Lula, criado pelo deputado federal André Janones.

O ministro estabeleceu que o canal só poderá voltar a funcionar como instrumento de propaganda eleitoral depois que seu endereço for comunicado formalmente à Justiça Eleitoral, conforme as regras aplicáveis aos meios oficiais de campanha.

A decisão também prevê o acompanhamento das publicações e a retirada de conteúdos que reproduzam material já atingido por ordens judiciais. A fiscalização deverá alcançar, ainda, canais públicos mantidos em aplicativos de mensagens pela campanha de Flávio ou efetivamente vinculados a ela.

A medida, portanto, estabelece exigências para os dois lados da disputa, embora o processo específico que motivou a decisão esteja relacionado ao canal de apoiadores de Lula. A regularização do instrumento de comunicação é a condição indicada pelo ministro para que ele volte a funcionar como meio eleitoral.

TSE esclarece falha em propaganda de Flávio exibida sem áudio

O Tribunal Superior Eleitoral divulgou nesta terça-feira uma nota oficial sobre o problema técnico que deixou sem áudio a propaganda televisiva de Flávio Bolsonaro na segunda-feira (12).

De acordo com o tribunal, houve uma falha no sistema de finalização das mídias, conhecido como Pool de Mídias. O problema atingiu os arquivos de áudio das duas propagandas previstas para o bloco das 13h, mas foi corrigido a tempo para a exibição do material de Lula.

O TSE informou que o arquivo de Flávio foi corrigido e será reexibido conforme a regulamentação eleitoral. Até a publicação da nota, não havia sido informada uma data específica para a retransmissão.

Após o episódio, Flávio havia questionado publicamente a falha e sugerido a possibilidade de uma ação deliberada para prejudicar sua campanha. Entretanto, a nota oficial atribuiu o problema a uma falha técnica no processamento dos arquivos, sem apresentar evidências de sabotagem.

A ocorrência reforça a importância de distinguir as suspeitas levantadas durante a disputa política das conclusões formalmente divulgadas pelas autoridades responsáveis.

Proposta para universidades federais gera questionamentos

Outro tema relevante para a campanha é a proposta de transferir as universidades federais do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

A ideia consta do plano de governo de Flávio e busca aproximar a pesquisa acadêmica das necessidades do setor produtivo. A proposta, no entanto, provocou questionamentos entre reitores e especialistas sobre possíveis efeitos no financiamento das instituições e na integração entre ensino superior, formação de professores e educação básica.

Uma das preocupações apresentadas é a diferença entre os recursos disponíveis para os dois ministérios. O orçamento do MEC é significativamente maior que o do MCTI, e a mudança exigiria esclarecimentos sobre como seriam preservadas as verbas destinadas às universidades.

Também há dúvidas sobre o tratamento dos institutos federais, que oferecem cursos técnicos, educação básica e ensino superior. Até que a campanha apresente detalhes adicionais, permanecem em aberto aspectos importantes da implementação da medida.

Campanha entra em fase decisiva

Com menos de duas semanas até o segundo turno, Flávio Bolsonaro enfrenta uma combinação de indicadores eleitorais favoráveis e desafios políticos. As pesquisas mais recentes mostram vantagem numérica, mas dentro das margens de erro; sua posição sobre a escala 6×1 sinaliza uma mudança de discurso em um tema sensível para os trabalhadores; e decisões judiciais continuam influenciando a comunicação das campanhas.

A disputa também passa pela capacidade de detalhar propostas de governo, especialmente nas áreas econômica, trabalhista e educacional, e de responder a questionamentos sem transformar alegações em fatos comprovados.

A votação está marcada para domingo, 25 de outubro. Até lá, novos levantamentos, debates e decisões da Justiça Eleitoral deverão ajudar a esclarecer a evolução da disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula.

Por Gilvan Afonso

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