A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro enfrenta uma nova configuração eleitoral nesta quinta-feira (15). A primeira pesquisa Genial/Quaest do segundo turno, divulgada na quarta-feira (14), mostra o senador com 46% das intenções de voto, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 44%.
O levantamento indica empate técnico entre os dois concorrentes, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais. O cenário surge após uma semana de intensas articulações políticas e mudanças no posicionamento de Flávio sobre a proposta de encerramento da escala de trabalho 6×1, aprovada pelo Senado na noite de quarta-feira.
Quaest aponta disputa apertada na reta final
Na pesquisa Genial/Quaest, os votos brancos e nulos correspondem a 9% das respostas, enquanto 1% dos entrevistados não soube responder.
Quando são considerados apenas os votos válidos, excluindo brancos, nulos e indecisos, Flávio registra 51%, contra 49% de Lula. Apesar da vantagem numérica do candidato do PL, a margem de erro impede afirmar que exista uma liderança estatisticamente consolidada.
O instituto entrevistou 2.154 eleitores com 16 anos ou mais, entre 10 e 13 de outubro, em levantamento contratado pela Genial Investimentos e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08729/2026. O nível de confiança informado é de 95%.
Outro indicador importante é a rejeição. Segundo a pesquisa, 54% dos entrevistados disseram que não votariam em Flávio, enquanto 53% afirmaram o mesmo sobre Lula. A proximidade dos índices mostra que os dois candidatos enfrentam resistência significativa entre os eleitores.
O levantamento também indica que 91% dos entrevistados consideram definitiva sua escolha, enquanto 9% ainda admitem a possibilidade de mudar de posição. Esses números sugerem que a mobilização dos eleitores já alinhados e a participação de quem votou em outras candidaturas podem ter peso relevante no resultado final.
Senado aprova fim da escala 6×1 com voto favorável de Flávio
A principal mudança política envolvendo o senador ocorreu na quarta-feira (14), quando o Senado aprovou, em dois turnos, a proposta de emenda à Constituição que extingue a escala de trabalho 6×1 e estabelece uma transição para a jornada semanal de 40 horas.
O texto recebeu 75 votos favoráveis e apenas um contrário, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Flávio Bolsonaro votou remotamente a favor da proposta, embora não tenha participado presencialmente da sessão.
A medida estabelece uma redução gradual da jornada máxima semanal: inicialmente, de 44 para 42 horas, após a promulgação e o prazo previsto no texto; depois, para 40 horas, ao longo da transição. A proposta também prevê dois dias de descanso por semana, preferencialmente incluindo o domingo, sem redução salarial. A entrada em vigor depende da promulgação da emenda, cuja data ainda não foi definida.
A votação representa uma mudança importante no posicionamento de Flávio. Nos dias anteriores, o senador havia criticado o calendário escolhido para a análise da matéria e afirmado que o debate estava sendo conduzido de maneira oportunista durante o período eleitoral.
Na terça-feira (13), porém, declarou que votaria favoravelmente à proposta. No dia seguinte, confirmou o apoio por meio de voto remoto. A mudança ocorreu em meio à pressão política provocada pela popularidade da medida e pela utilização do tema como uma das principais bandeiras da campanha de Lula.
Oposição tenta reposicionar agenda após votação
A aprovação da proposta provocou uma reação entre integrantes da oposição. O senador Rogério Marinho apresentou uma proposta para incluir a redução da maioridade penal na discussão da PEC da Segurança Pública.
A iniciativa prevê reduzir a maioridade penal para 16 anos e, em determinados crimes hediondos, para 14 anos. A articulação busca colocar o governo diante de uma pauta tradicionalmente defendida pela direita, mas enfrenta resistência de parlamentares governistas, que temem atrasos na tramitação da proposta de segurança.
O movimento também evidencia a tentativa da oposição de deslocar parte do debate eleitoral para a segurança pública, área na qual Flávio procura reforçar sua identidade política. A eventual inclusão das mudanças na maioridade penal, entretanto, depende da tramitação legislativa e não deve ser confundida com uma medida já aprovada.
Debate entre os candidatos está previsto para esta quinta-feira
A programação eleitoral prevê um confronto entre Flávio Bolsonaro e Lula nesta quinta-feira (15), às 22h, em debate organizado por um grupo de veículos de comunicação liderado pelo SBT e pela RedeTV!, com participação de outros parceiros.
O encontro deverá oferecer uma oportunidade para os dois candidatos apresentarem diretamente suas propostas e responderem às críticas do adversário. A discussão sobre a jornada de trabalho, a economia, a segurança pública e os programas sociais tende a ocupar espaço importante no confronto.
Outro debate está previsto para domingo (18), às 20h, na TV Bandeirantes. A programação integra a reta final da campanha, que termina com a votação de 25 de outubro.
Cenário eleitoral exige atenção às próximas pesquisas
A nova rodada da Quaest mostra que a disputa permanece aberta. Embora Flávio esteja numericamente à frente, a diferença de dois pontos percentuais está dentro da margem de erro. A rejeição elevada dos dois candidatos também indica que a campanha precisará equilibrar a mobilização de suas bases com a tentativa de conquistar eleitores ainda resistentes.
A aprovação da escala 6×1 acrescenta um elemento relevante à disputa. Para Lula, a medida representa uma conquista legislativa associada a uma pauta de forte apelo popular. Para Flávio, o voto favorável evita um confronto direto com uma proposta amplamente apoiada, mas também exige explicações sobre as críticas anteriores e sobre as alternativas que pretende defender para a organização do trabalho.
O segundo turno será realizado em 25 de outubro. Até lá, o desempenho nos debates, a evolução das pesquisas e a capacidade de apresentar propostas econômicas e sociais consistentes deverão influenciar a decisão dos eleitores.
Por Gilvan Afonso




