A disputa pela Presidência da República ficou ainda mais acirrada nesta sexta-feira (16). Pesquisa PoderData divulgada pela manhã aponta empate entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tanto na intenção de voto total quanto na contagem dos votos válidos.
O cenário eleitoral coincide com novos desdobramentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na quinta-feira (15), a Corte determinou a retirada de publicações de Flávio e do deputado Nikolas Ferreira que utilizavam trechos de uma declaração de Lula sobre trabalhadores da limpeza urbana. Em outra decisão, a Justiça Eleitoral estabeleceu regras para garantir tratamento igualitário às campanhas nas plataformas da Meta, empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp.
PoderData aponta empate entre Flávio e Lula
O levantamento PoderData divulgado nesta sexta-feira mostra os dois candidatos com 47% das intenções de voto totais. Brancos e nulos somam 4%, enquanto 2% dos entrevistados não souberam responder.
Na contagem dos votos válidos, utilizada oficialmente pela Justiça Eleitoral para definir o resultado da eleição, Flávio e Lula aparecem com 50% cada.
A pesquisa ouviu 3 mil eleitores por telefone entre os dias 13 e 15 de outubro. A margem de erro informada é de 1,8 ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-04258/2026.
O resultado representa uma mudança em relação aos levantamentos anteriores do mesmo instituto. No primeiro levantamento pós-primeiro turno, divulgado em 8 de outubro, Flávio tinha vantagem de seis pontos percentuais sobre Lula nos votos válidos. A diferença diminuiu nas pesquisas seguintes até chegar ao empate registrado nesta sexta-feira.
Datafolha também indica disputa apertada
Outro levantamento, divulgado na quinta-feira (15), mostra Flávio com 47% das intenções de voto totais, contra 45% de Lula. Na contagem dos votos válidos, o candidato do PL aparece com 51%, enquanto o petista registra 49%.
A margem de erro do Datafolha é de dois pontos percentuais. Portanto, apesar da vantagem numérica de Flávio, o resultado configura empate técnico.
O instituto ouviu 2.520 pessoas entre 13 e 15 de outubro, em pesquisa registrada no TSE sob o número BR-00466/2026. O levantamento também mostrou rejeição de 46% a Lula e 44% a Flávio, índices que reforçam a polarização entre os candidatos.
Os resultados mostram que a vantagem conquistada por Flávio no primeiro turno não se traduziu, até o momento, em uma liderança consolidada nas pesquisas do segundo turno.
TSE determina retirada de vídeos publicados por Flávio e Nikolas
Uma das principais derrotas recentes da campanha do PL ocorreu no plenário do Tribunal Superior Eleitoral.
Por maioria, os ministros modificaram uma decisão anterior do ministro André Mendonça e determinaram a retirada de publicações de Flávio e Nikolas Ferreira que reproduziam trechos de uma declaração de Lula sobre garis.
Nos vídeos, os parlamentares criticavam a maneira como o presidente se referiu aos trabalhadores da limpeza urbana e associavam a fala a questionamentos políticos envolvendo o filho do petista, Fábio Luís Lula da Silva.
A campanha de Lula alegou que o material retirava a declaração de seu contexto original. Segundo a argumentação apresentada, o presidente defendia a ampliação de políticas públicas e oportunidades para os filhos dos trabalhadores da limpeza urbana, e não a desvalorização desses profissionais.
Inicialmente, André Mendonça havia rejeitado o pedido de remoção, considerando que não existia desinformação manifesta suficiente para justificar a intervenção judicial. No julgamento colegiado, entretanto, prevaleceu a divergência apresentada pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques.
A maioria entendeu que as publicações associavam a fala presidencial a acusações criminais contra o filho de Lula sem elementos suficientes para sustentar essa imputação. Os ministros também questionaram a utilização descontextualizada da declaração sobre os garis.
A decisão determina a retirada das publicações específicas analisadas no processo. Não representa, por si só, uma proibição geral de críticas políticas a Lula nem uma conclusão sobre todas as acusações que circulam na campanha.
Justiça exige tratamento equilibrado da Meta para os dois candidatos
Em outra decisão divulgada na quinta-feira, o ministro do TSE Marco Aurélio Bellizze determinou que a Meta adote critérios equivalentes para as campanhas de Flávio e Lula durante o segundo turno.
A medida foi tomada após a campanha petista alegar que ferramentas da empresa apresentavam diferenças no tratamento de pedidos relacionados à produção de conteúdo eleitoral.
Um dos pontos questionados envolveu a Meta AI, ferramenta de inteligência artificial que, segundo a representação, recusava determinados pedidos de criação de material relacionado a Lula, mas aceitava solicitações semelhantes envolvendo Flávio. A empresa negou favorecimento deliberado e afirmou que adotou medidas adicionais para cumprir as regras eleitorais brasileiras.
Bellizze determinou que a empresa esclareça os critérios empregados e aplique as mesmas regras às duas candidaturas. A decisão também prevê restrições a eventuais diferenças na distribuição de conteúdos políticos e estabelece que bloqueios de contas de anúncios sejam submetidos à revisão humana.
O ministro determinou ainda medidas de fiscalização de anúncios eleitorais não contratados oficialmente pelas campanhas e de publicações suspeitas de utilizar inteligência artificial sem a identificação exigida pelas normas eleitorais.
A decisão prevê multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento e deverá ser submetida ao plenário do TSE. As determinações valem até o encerramento do segundo turno, em 25 de outubro.
Campanha de Flávio pede restrições contra 48 perfis
Paralelamente, a equipe jurídica de Flávio acionou o TSE para solicitar medidas contra 48 perfis do Instagram que, segundo a campanha, estariam divulgando conteúdos falsos ou descontextualizados para favorecer Lula.
Entre os alvos mencionados na ação estão parlamentares, páginas políticas e o perfil do veículo Mídia Ninja.
A campanha pede a remoção de 221 publicações e a suspensão temporária de 32 contas até depois do segundo turno. Para outros 16 perfis, solicita monitoramento, retirada de conteúdos considerados irregulares e medidas para impedir reincidência. Também quer limitar temporariamente as publicações colaborativas entre as contas investigadas.
De acordo com a petição, os advogados mapearam 1.525 perfis conectados por publicações colaborativas e identificaram um conjunto de 260 contas que, na avaliação da campanha, integraria um núcleo de disseminação de conteúdo enganoso.
O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, solicitou esclarecimentos à campanha sobre as condutas atribuídas a cada perfil e sobre a existência de pedidos semelhantes em outros processos.
Até o momento da reportagem, não havia decisão definitiva determinando a suspensão das 48 contas. As acusações apresentadas pelo PL permanecem sujeitas à análise judicial, e a apresentação de uma ação não comprova, por si só, a ocorrência das irregularidades alegadas.
Escala 6×1 continua no centro do embate eleitoral
A redução da jornada de trabalho também permanece entre os principais assuntos da campanha.
Segundo levantamento publicado pelo UOL nesta sexta-feira, a equipe de Flávio apresentou ao menos 14 pedidos à Justiça Eleitoral para impedir que propagandas de Lula afirmassem que o candidato do PL era contrário ao fim da escala 6×1. Apenas três dessas iniciativas haviam sido acolhidas até a publicação da reportagem.
O tema ganhou força depois que o Senado aprovou, na quarta-feira (14), uma proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial. Flávio votou favoravelmente à matéria, embora anteriormente tivesse criticado o calendário da votação e defendido maior flexibilidade nas relações entre empregados e empregadores.
A mudança de posicionamento passou a ser explorada pela campanha petista, que questiona se o senador manteria o apoio à proposta caso fosse eleito. Flávio, por sua vez, tem buscado contestar as peças publicitárias que o apresentam como contrário à redução da jornada.
A discussão deve continuar até o dia da votação, especialmente porque envolve direitos trabalhistas, custos empresariais e as propostas econômicas defendidas pelas duas candidaturas.
Reta final exige atenção às pesquisas e às decisões judiciais
A dez dias do segundo turno, Flávio Bolsonaro enfrenta uma disputa eleitoral mais equilibrada do que indicavam os primeiros levantamentos posteriores à votação de 4 de outubro.
As pesquisas mais recentes mostram empate técnico, enquanto a Justiça Eleitoral continua examinando reclamações relacionadas à propaganda, ao uso de inteligência artificial e à circulação de conteúdos políticos nas redes sociais.
Para o candidato do PL, os próximos dias serão importantes para recuperar a vantagem numérica registrada anteriormente e defender suas propostas. Para Lula, a prioridade é consolidar a aproximação apontada pelos levantamentos e ampliar o alcance da campanha.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Até lá, novas pesquisas, debates e decisões judiciais poderão alterar o ambiente da disputa, mas nenhum dos resultados divulgados até agora permite antecipar com segurança quem vencerá a eleição.
Por Gilvan Afonso




